Propostas do Grupo de Pessoas com Deficiência  Contribuições para o Programa de Governo de Edna Santos.

Apresento uma proposta de plano de governo voltada à candidatura ao cargo de deputada federal, estruturada em torno dos princípios da dignidade da pessoa humana, da inclusão, da acessibilidade universal e da participação social. Algumas propostas, como mudanças em políticas de cotas, dependeriam de estudos técnicos, amplo diálogo com organizações representativas das pessoas com deficiência e análise de compatibilidade com a Constituição e a legislação vigente. 

 

Redação 

 

PLANO DE GOVERNO 

Inclusão, Acessibilidade e Direitos das Pessoas com Deficiência 

“Nada sobre nós sem nós.” 

 

APRESENTAÇÃO

O Brasil possui aproximadamente 18 milhões de pessoas com deficiência, que ainda enfrentam barreiras arquitetônicas, comunicacionais, digitais, educacionais, culturais e atitudinais. A Constituição Federal garante igualdade de direitos e a Lei Brasileira de Inclusão consolidou importantes avanços, mas ainda há uma grande distância entre a legislação e a realidade. 

Meu compromisso é fortalecer políticas públicas que promovam autonomia, participação social e igualdade de oportunidades, assegurando que toda pessoa com deficiência possa exercer plenamente sua cidadania. 

 

As propostas incluem: 

 

1. Participação Social e Controle Social 

  • Motivar e incentivar a participação efetiva das pessoas com deficiência no controle social e nos espaços de formulação e deliberação das políticas públicas (conferências municipais, estaduais e nacional e respectivos conselhos). 
  • Participação obrigatória das pessoas com deficiência na elaboração de programas públicos. 
  • Audiências públicas permanentes. 
  • Fortalecimento dos Conselhos da Pessoa com Deficiência. 
  • Consultas públicas acessíveis. 
  • Participação efetiva de usuários em projetos tecnológicos financiados pelo governo. 

2. Políticas de Cotas e Equidade 

  • Realização de estudos técnicos sobre os impactos das políticas de cotas. 
  • Aperfeiçoamento dos critérios de avaliação biopsicossocial previstos na legislação. 
  • Fortalecimento das bancas multiprofissionais. 
  • Preservação integral dos direitos já garantidos às pessoas com deficiência. 
  • Promoção de debates nacionais para ampliar a inclusão das pessoas com maiores necessidades de apoio, respeitando a Constituição. 

3. Acessibilidade Digital 

  • Auditorias obrigatórias de acessibilidade em sites governamentais. 
  • Fiscalização permanente dos sistemas públicos. 
  • Acessibilidade obrigatória em aplicativos financiados com recursos públicos. 
  • Certificação nacional de acessibilidade digital. 
  • Incentivos às empresas que desenvolvam plataformas acessíveis. 
  • Participação de pessoas com deficiência na concepção, formulação e testes de usabilidade. 

4. Tecnologia Assistiva 

  • Redução tributária para equipamentos assistivos. 
  • Incentivo à indústria nacional. 
  • Financiamento de pesquisas. 
  • Linhas de crédito para aquisição de equipamentos. 
  • Ampliação da oferta de órteses, próteses e tecnologias assistivas pelo SUS. 
  • Criação de centros regionais de inovação. 

5. Educação Inclusiva 

  • Formação continuada de professores. 
  • Ampliação das salas de recursos multifuncionais. 
  • Acessibilidade física e digital nas escolas. 
  • Materiais didáticos acessíveis. 
  • Tecnologias assistivas nas redes públicas. 
  • Fortalecimento do Atendimento Educacional Especializado e preparação dos professores de apoio. 
  • Material acadêmico acessível. 
  • Criação de Banco de Material Acadêmico Acessível. 
  • Obrigatoriedade de acervo digital acessível (PDF acessível, Braille e áudio) em universidades públicas e privadas. 
  • Criação da Escola de Líderes PCD (oratória, direito e políticas públicas). 
  • A graduação para professores precisa prepara-los para inclusão. 
  • Fortalecer a formação inicial e continuada dos profissionais da educação para a educação inclusiva, incentivando a ampliação dos conteúdos sobre deficiência, acessibilidade, tecnologias assistivas, Sistema Braille, adaptações pedagógicas e práticas inclusivas nos cursos de licenciatura e nos programas de capacitação, garantindo que todos os professores estejam preparados para promover uma educação de qualidade para estudantes com deficiência. 

6. Trabalho, Renda e Empreendedorismo 

  • Fortalecimento e ampliação da Lei de Cotas no mercado de trabalho para todas as profissões. 
  • Programas de qualificação profissional. 
  • Incentivo ao empreendedorismo da pessoa com deficiência. 
  • Linhas de crédito especiais. 
  • Certificação de empresas inclusivas. 
  • Apoio à adaptação de ambientes de trabalho. 
  • Criação do Programa Contrata PCD Brasil. 
  • Fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas, garantindo igualdade de acesso às oportunidades. 
  • Criação do Programa Qualificação Remunerada em parceria com SENAI/SESC, com bolsa-auxílio. 

7. Saúde Integral 

  • Ampliação da reabilitação pelo SUS. 
  • Redução das filas para órteses e próteses. 
  • Acesso ampliado à fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicologia. 
  • Fortalecimento das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. 
  • Ampliação do atendimento domiciliar quando indicado. 
  • Criação do SUS Acessível Digital (leitor de tela e Libras 24h). 
  • Criação do Programa Capacita Saúde com treinamento anual obrigatório. 

8. Acessibilidade Urbana e Mobilidade 

  • Fiscalização da acessibilidade urbana. 
  • Calçadas acessíveis. 
  • Transporte público universal. 
  • Sinalização tátil e sonora. 
  • Adaptação de prédios públicos. 
  • Incentivo aos municípios que cumprirem metas de acessibilidade. 
  • Implementação da Frota Zero Barreira. 
  • Obrigatoriedade de 100% dos ônibus novos com rampa, espaço para cadeirante e sistema de áudio. 
  • Criação do Selo Cidade Acessível. 
  • Fortalecer a proteção dos consumidores com deficiência, especialmente das pessoas com deficiência visual, por meio de campanhas permanentes de conscientização para o comércio, aperfeiçoamento da legislação para coibir práticas discriminatórias e abusivas, ampliação dos mecanismos de fiscalização e garantia de atendimento acessível, respeitoso e igualitário. 

9. Esporte, Cultura e Lazer 

  • Incentivo ao paradesporto. 
  • Acessibilidade em equipamentos culturais. 
  • Apoio a projetos esportivos inclusivos. 
  • Financiamento de eventos acessíveis. 
  • Turismo inclusivo. 
  • Ampliar o acesso das pessoas com deficiência, como protagonistas, às leis de incentivo à cultura e às políticas de responsabilidade social empresarial. 

10. Proteção Social 

  • Fortalecimento da rede de proteção social. 
  • Apoio aos cuidadores familiares. 
  • Ampliação do acesso à informação sobre direitos. 
  • Integração entre saúde, assistência social e educação. 
  • Combate à violência contra pessoas com deficiência. 

11. Pesquisa e Inovação 

  • Incentivo à pesquisa científica. 
  • Inteligência artificial aplicada à acessibilidade. 
  • Desenvolvimento de tecnologias nacionais. 
  • Cooperação entre universidades, empresas e centros de pesquisa. 

12. Fiscalização e Transparência 

  • Criação do Observatório Nacional da Inclusão. 
  • Indicadores públicos de acessibilidade. 
  • Acompanhamento da execução das políticas públicas. 
  • Fortalecimento da atuação do Congresso Nacional na formulação de leis e políticas públicas que reforcem os órgãos de fiscalização e transparência. 

13. Compromissos Legislativos 

  • Aperfeiçoar a legislação de inclusão. 
  • Defender recursos orçamentários para políticas de acessibilidade. 
  • Fiscalizar a aplicação da Lei Brasileira de Inclusão. 
  • Promover audiências públicas em todas as regiões do país. 
  • Apoiar iniciativas que ampliem autonomia e participação social. 
  • Incentivar a inovação tecnológica voltada à inclusão. 

 

OBS: incluir questões sobre o direito do consumidor 

VISÃO DE FUTURO 

Quero um Brasil onde a deficiência nunca seja motivo de exclusão. 

Um país onde cada escola seja acessível, cada serviço público acolha todas as pessoas, cada tecnologia seja desenvolvida para todos e cada cidadão tenha oportunidades reais de estudar, trabalhar, empreender e participar da vida comunitária. 

A inclusão não é um favor. É um direito humano, um dever do Estado e um compromisso de toda a sociedade. 

Porque uma nação verdadeiramente desenvolvida é aquela que não deixa ninguém para trás. 

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